Blog destinado aos professores e amantes da História, Filosofia, Sociologia e a vida em sociedade como um todo. Compartilho experiências de 40 anos em sala de aula. Deixe seus comentários. Críticas são bem-vindas. Fui colaborador no livro Cinquentenário de Naviraí em poesias, versos, contos e crônicas: 50 Anos Associação Naviraiense dos Poetas Escritores. Dourados-MS, Seriema, 2013.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
RAIZES DO BRASIL
segunda-feira, 7 de maio de 2018
OS ÍNDIOS NO BRASIL: QUEM SÃO ELES?
ALUNOS DO SEXTO ANO, DEIXEM SEUS COMENTÁRIOS A RESPEITO DESTE VÍDEO QUE TRABALHAMOS EM SALA DE AULA!
sábado, 5 de maio de 2018
SEGUNDO BIMESTRE 2018
O segundo bimestre de 2018 anda a todo vapor. Quero agradecer aos mais de três mil comentários postados no primeiro bimestre, fico muito feliz em saber que vocês alunos, estão aproveitando este espaço para aprimorar os nossos estudos e vamos que vamos...
Não esqueçam a vida é como uma estrada, infelizmente não tem volta... Estude hoje, pois este tempo não voltará.
2º BIMESTRE - MALBA TAHAN
PROFESSOR BRASILEIRO FEZ A DIFERENÇA
NA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
Júlio César de Melo e Sousa, professor de matemática, nasceu no Rio de Janeiro,
em 6/5/1895, vindo de uma família de oito filhos, criados com dificuldade pelos
pais.
O escritor árabe Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim
Hank Malba Tahan - mais conhecido como Malba Tahan-, nasceu dez anos antes, em 1885, na Península Arábica.
Ele realizou seus estudos em Constantinopla e no Cairo; com 27 anos se tornou
detentor de grande herança paterna e passou a viajar pelo Japão, Rússia e
Índia. Malba faleceu em 1921.
O
comum entre Júlio César, o matemático brasileiro, e Malba Tahan, o escritor árabe
é que se trata mesma pessoa. Malba Tahan é o pseudônimo de que se vale o
professor para criar suas histórias. Tamanha é a sua criatividade que ele mesmo
inventou sua biografia fictícia. Aproveitando o contexto, ele também disseminou
amplamente a Matemática através de suas obras. O escritor recebeu inclusive a
concessão especial do Presidente Getúlio Vargas para ter seu heterônimo
impresso em sua carteira de identidade.
Júlio
cresceu na pequena cidade paulista chamada Queluz, revelando precocemente sua
natureza criativa e única. Em 1905 ele voltou para sua terra natal para estudar
e se tornar professor. Ele transformava sua sala de aula em palco e atuava de
forma brilhante, conquistando a atenção dos alunos com sua metodologia voltada para
o aprendizado concretizado. Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava,
ele apresenta, por meio das proezas de um personagem persa que se devota aos
cálculos matemáticos, uma infinidade de questões e desafios matemáticos,
seguindo o estilo das narrativas de Mil e Uma Noites. Monteiro Lobato foi um
dos grandes escritores que se apaixonaram por este livro, profetizando sua
imortalidade na história da literatura.
Os
contos de Malba se passavam no Oriente. O matemático e escritor estava sempre à
frente de seu tempo, sendo muitas vezes incompreendido. No esforço de
reconhecimento da sua obra, foi fundado o Instituto Malba Tahan, em 2004, na cidade
de Queluz. Também em sua honra o dia 6 de maio, que marca seu nascimento,
foi estabelecido como o Dia da Matemática pela Assembléia Legislativa do Rio de
Janeiro.
Júlio
César morreu no dia 18/06/1974, de ataque cardíaco no hotel em que se
encontrava hospedado, no Recife, depois de uma palestra. Como arremate final de
sua imaginação, deixou prescritas várias orientações para a realização de seu
enterro: queria um caixão de terceira classe, flores enviadas por alguém
desconhecido, oculto no anonimato, sem coroas, luto ou discursos.
sexta-feira, 20 de abril de 2018
NAVIO NEGREIRO
Alunos do segundo ano do Ensino Médio: este vídeo é para complementar o estudo do capítulo quatro a respeito da Escravidão e Resistência. Deixe seu comentário e aproveite para expressar a sua opinião sobre os escravos negros que viveram no Brasil no período colonial.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
BOM ESTUDO!
Aos alunos que estão se dedicando aos estudos neste final de bimestre, desejo sucesso, paciência e determinação para que possam ter seus objetivos alcançados! Vamos lá pessoal, estudar e estudar..
quarta-feira, 18 de abril de 2018
O ISLAMISMO
ATENÇÃO ALUNOS DO SÉTIMO ANO - ESTES DOIS VÍDEOS DEVEM SER ASSISTIDOS E DEPOIS VOCÊS POSTEM OS COMENTÁRIOS ABAIXO - ASSISTA, POIS ESTE VAI SER UM DOS CONTEÚDOS DE NOSSA PROVA! BOM ESTUDOS!
O BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
O crash da Bolsa de Nova Iorque e a queima do café
O crash na Bolsa de Valores de Nova York,
em outubro de 1929, provocou uma crise sentida em todo o planeta e também no
Brasil. Uma nuvem de fumaça gigantesca, que vinha de uma enorme fogueira,
pairava sobre a cidade de Santos, no Litoral de São Paulo, por onde escoava boa
parte das exportações do café brasileiro. Acesa durante as festas juninas, a
fogueira duraria até o fim do ano – mas tinha pouco a ver com a comemoração de
São João. Ela fora iniciada para queimar os estoques de café, então responsável
por 70% das exportações brasileiras, que se acumularam com a retração do
mercado externo. Enquanto o fogo durou, consumiu milhões de sacas.
O café era queimado a mando do governo de
Getúlio Vargas para tentar reduzir o impacto negativo da crise no Brasil, então
responsável por 60% das vendas mundiais do produto. As exportações, que
atingiram US$ 445 milhões em 1929, caíram para US$ 180 milhões em 1930. Segundo
a Bolsa de Café de Santos, a cotação da saca no mercado internacional – 200
mil-réis em agosto de 1929 – caíra quase 90%, para 21 mil-réis, em janeiro de
1930. Nas fazendas cafeicultoras, concentradas no interior paulista e no
Paraná, muitos resolveram seguir o mesmo caminho e queimaram o café colhido.
Todos os elos envolvidos na
cadeia de produção do café brasileiro – fazendeiros, comerciantes, banqueiros e
trabalhadores rurais (a maior parte imigrantes) – foram atingidos pela crise.
Muitos produtores foram à bancarrota. O desemprego no campo se multiplicou,
estimulando um movimento migratório para as cidades, em especial para São
Paulo. Como se veria depois, o que acontecia naquele momento era apenas o
início de um profundo processo de mudanças que se prolongaria até o fim dos
anos 30, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.
Como se
tudo isso não fosse suficiente, crescia a concorrência internacional – em
particular da Colômbia – ao café brasileiro. Os principais países consumidores,
como Estados Unidos, França, Itália, Holanda e Alemanha, que compravam 80% da
produção brasileira, passaram a diversificar seus fornecedores. Havia a
percepção de que, no Brasil, misturavam-se ao café todos os tipos de impurezas,
como pedras, terra e gravetos, para aumentar o peso das sacas. Também se
acusavam os produtores nacionais de incluir café de baixa qualidade nas sacas
para aumentar o lucro. Quando a crise internacional chegou ao Brasil, ela
representou apenas o golpe final para que o sistema econômico da República
Velha, centrado na monocultura do café, entrasse em colapso.

Queima do café em Santos (após o crash da Bolsa de Valores em 1929)
TEXTO PARA OS ALUNOS DO TERCEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO - ler o texto e postem suas considerações, principalmente após fazer o trabalho para ser entregue ao professor.
terça-feira, 10 de abril de 2018
terça-feira, 20 de março de 2018
Carlos Magno - 7º Ano
NOME: Carlos Magno (66 anos)
QUEM
FOI: Foi
sucessivamente rei dos Francos (de 771 a 814), ainda o primeiro
Imperador do
Sacro Império Romano (coroado em 25 de Dezembro do ano 800), restaurando assim
o antigo Império Romano do Ocidente. foi o filho mais velho de Pepino, o
Breve, que foi o primeiro rei carolíngio.
NASCIMENTO: 02 de abril de 747.
MORTE: 28 de janeiro de 814.
CAUSA
DA MORTE: Fraqueza, depois de sofrer uma Pleurisia.
OBS: No inverno de 814, sofreu
um ataque de pleurisia, mas recusou assistência médica e tratou de curar-se
jejuando. Foi enfraquecendo gradualmente até morrer.
4º TEXTO PARA ALUNOS DO TERCEIRO ANO ENSINO MÉDIO
ALUNOS DO TERCEIRO ANO, LEIAM ESTE TEXTO, COMPLEMENTO DO CONTEÚDO SOBRE REVOLUÇÃO RUSSA E POSTEM SEUS COMENTÁRIOS.
A REVOLUÇÃO RUSSA E A LUTA DAS MULHERES Luna Costa
Hà 100 anos, acontecia a insurreição dos Bolcheviques,
liderados por Vladimir Lênin, contra o governo provisório (25/10/17 pelo
calendário russo, e 7 de novembro pelo gregoriano).
Era um dos momentos mais marcantes da história: a
primeira revolução socialista, feita pela e para a maioria. As mulheres tiveram
importância fundamental e foram as responsáveis pelo início do processo
revolucionário, mas, apesar dos grandes direitos conquistados pós-revolução,
pouco se comenta sobre sua decisiva participação no período.
O grande estopim ocorreu justamente no dia 23 de
fevereiro no calendário juliano (08 de março no calendário gregoriano), o Dia
Internacional da Mulher. Milhares de mulheres, que viviam uma situação
precarizada e miserável, foram às ruas, em uma greve geral por seus direitos
mais básicos.
Na Rússia de 1916, as operárias se concentravam no
setor têxtil e eram a categoria mais explorada da classe operária. A média de
seus soldos chegava a menos da metade do salário dos operários do setor
metalúrgico. A porcentagem de analfabetismo era de 17% entre os metalúrgicos e subia
para 62% entre as têxteis.
O enorme impulso que as trabalhadoras russas deram à
revolução, combinado com a política revolucionária consequente dos
bolcheviques, trouxe avanços que ainda hoje articulam mulheres
internacionalmente.
Programas governamentais soviéticos investiam na
emancipação das mulheres: plena igualdade de direitos civis e políticos, o
casamento civil e o divórcio, liberdade sexual, inserção do mercado de trabalho
de forma igualitária, direito ao aborto, licença maternidade, uma política que
incentivava a socialização do trabalho doméstico e a criação dos filhos, como a
construção de creches públicas.
As trabalhadoras que se levantaram por pão, terra e
paz ainda são capazes de nos repassar importantes lições sobre o potencial
avassalador que a organização de mulheres tem nas transformações sociais.
Fundamental no momento que estamos vivendo de retirada dos nossos direitos em
todos os campos.
A
revolução russa e a luta das mulheres vivem!
Fonte - <https://jornalistaslivres.org/2017/11/revolucao-russa-e-luta-das-mulheres/>
segunda-feira, 19 de março de 2018
O Brasil na Primeira Guerra Mundial - Alunos do 3º Ano do Ensino Médio
O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA
Como sabemos o Brasil não
participou diretamente da Primeira Guerra, pois se manteve neutro, uma vez que
havia acordos tanto com os países da Tríplice Aliança, como da Tríplice Entente.
Mas, quando os alemães afundaram o
navio “Paraná” (05/04/1917) que estava carregado de café, o mais poderoso navio
da frota da marinha brasileira, o governo brasileiro declarou guerra aos
alemães. Os alemães também torpedearam outros navios “Tijuca” e “Lapa”, fato
que levou o presidente Venceslau Brás, entrar na Guerra do lado da
Tríplice Entente (com EUA, Império Russo, França e Inglaterra), mas o Brasil
não tinha efetivos para enviar a guerra.
Foram oferecidos pilotos, navios
militares e estrutura de apoio médico para atuar na região do estreito de
Gibraltar, onde havia, na época, um surto de Gripe Espanhola que afetava não só
os civis como as forças militares em combate, com alta taxa de mortalidade.
Neste local, os navios brasileiros
se encarregaram de proteger a principal entrada para o Mar
Mediterrâneo da presença de submarinos alemães, que atacavam os navios em águas
internacionais desde o início do conflito e ofereciam o apoio necessário às
forças aliadas estacionadas na região. Houve a participação do efetivo
brasileiro na região da Jutlândia, entre a Dinamarca e a Alemanha, e na frente
Ocidental da Europa, onde se travaram as principais batalhas da Primeira
Guerra Mundial.
O Brasil foi o único país da América do Sul a entrar na
guerra na condição de combatente. Os governos da Bolívia, Equador, Uruguai e
Peru limitaram-se a romper relações diplomáticas com a Alemanha.
O Brasil deu a grande contribuição
para a Tríplice Entente suprindo a necessidade da Europa por matérias-primas e
produtos agrícolas, escassos por conta do conflito; essa situação econômica da
Europa colaborou para o crescimento econômico brasileiro, sobretudo por ter
aberto as portas para a industrialização do país, que até então priorizava
a produção agrária.
Portanto, a participação do
Brasil na Primeira Guerra Mundial, foi discreta, mas abriu as portas gerou para
o crescimento econômico.
sexta-feira, 16 de março de 2018
A luta de Niéde Guidon para preservar o maior tesouro arqueológico brasileiro
ATIVIDADE PROPOSTA PARA OS ALUNOS DO 6º ANO E 1º ANO DO ENSINO MÉDIO - Após ler o texto deixe seu comentário crítico sobre este tema.
Depois de uma vida turbulenta à
frente do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, a arqueóloga cogita
abandonar seu projeto de vida. E isso lhe dói demais, porque ela não preparou
um sucessor.
Na cidade de São Raimundo Nonato, a 521 quilômetros ao sul de Teresina,
Piauí, vive a arqueóloga franco-brasileira Niéde Guidon. Ela está cansada de
lutar. Guardiã do maior tesouro arqueológico brasileiro, o Parque Nacional
Serra da Capivara, no Piauí, com seus registros da vida do homem pré-histórico,
ela pensa em se aposentar. E isso pode ser um tremendo problema, já que Niéde
não preparou um sucessor. Aos 84 anos, a arqueóloga tem o ar cansado de uma
combatente experiente. É uma senhora que se move com dificuldade, mas que ainda
preserva a fala firme. Nasceu em Jaú, interior de São Paulo, filha de pai
francês e mãe brasileira.
Niéde Guidon
Formou-se em história natural na Universidade de São Paulo em 1959. Só
foi estudar arqueologia em 1975, durante o doutorado na Sorbonne, em Paris,
depois de “descobrir” as maravilhosas pinturas rupestres daquela terra seca do
sul piauiense. Hoje, o parque soma 135 mil hectares nos municípios de Canto do
Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e São Raimundo Nonato, e concentra
1.354 sítios arqueológicos catalogados, sendo 183 preparados para a visitação
turística. É a maior concentração de vestígios ancestrais do mundo, o que fez
com que o parque fosse reconhecido como patrimônio cultural mundial da
humanidade pela Unesco em 1991.
Os estudos de Niéde reviraram tudo o que se sabia sobre a chegada do
Homo sapiens às Américas e geraram as primeiras brigas de gente grande que ela
travou. Suas escavações encontraram vestígios ainda mais antigos do que a tese
de que os primeiros seres humanos a habitarem o continente teriam vindo da
Rússia aos Estados Unidos pelo estreito de Bering, 13 mil anos antes do
presente, ou AP (forma de datar descobertas arqueológicas pela qual o dia 1º de
janeiro de 1950 marca, arbitrariamente, o “presente”). São fósseis, urnas
funerárias, ferramentas e pinturas rupestres com datações que vão de 59.000 AP
a 5.000 AP. Apesar de terem as idades estimadas pelos melhores laboratórios de
arqueologia da Europa e dos Estados Unidos, os artefatos carecem de aceitação
plena pela comunidade acadêmica americana, que ainda banca a teoria formulada
em 1950. E esta é só uma das brigas da vida de Niéde. “A tese deles está muito
velha. Depois dela já foram descobertos novos vestígios no Brasil e na América
do Sul que são bem mais antigos”, ela desdenha.
Sua principal batalha é política; ela criou a Fundação do Museu do Homem
Americano (FUMDHAM), que não consegue gerar receita própria pra se manter,
governo Federal pouco ajuda e ela afirma que tudo pode ficar no esquecimento,
uma vez que o parque pode fechar, ela lamenta.
Arte Rupestre de São Raimundo Nonato PI
O HOMEM AMERICANO
Até junho de 1963, as únicas pinturas rupestres encontradas no Brasil
estavam em Minas Gerais. No Piauí, as figuras deixadas pelos ancestrais nas
paredes de cavernas e paredões rochosos do sertão eram chamadas de “desenhos de
índios”, sem importância para os locais. Niéde nunca tinha ouvido falar de São
Raimundo Nonato. O primeiro contato aconteceu durante uma exposição sobre arte
rupestre do Brasil organizada pela USP no Museu do Ipiranga, em São Paulo. Um
visitante vindo de São Raimundo pediu para chamar alguém da organização. Queria
mostrar fotos de registros parecidos com os da exposição. “Na verdade, aquilo
era completamente diferente do resto!”, relembra Niéde. Em 1970, foi para o Piauí
conhecer o Sítio de São Raimundo Nonato e o que viu nos paredões piauienses
eram criações que contavam muito sobre o homem pré-histórico que viveu ali,
contou Niéde. Em 1979, elaborou um projeto para o Banco Interamericano de
Desenvolvimento sobre a viabilidade turística da região.
ATUALMENTE Niéde passa boa parte do dia sentada e sente-se sozinha na luta
para preservação deste patrimônio da humanidade. “Há um ano peguei o diabo da
zika e do chikungunya. Fiquei com artrose e mal consigo caminhar”, reclama,
pondo a mão nas articulações. Sim, o Aedes aegypti fez com Niéde o que ninguém
conseguiu: a golpeou forte no corpo e na alma. A artrose, doença incurável e
dolorida, impede que ela visite diariamente o parque, como fazia até a
derradeira picada do mosquito. “A verdade é que a vida aqui é muito chata,
entende? Não tem nada para fazer! Não posso ir a um cinema, a um show, porque
não tem. Minha distração e minha alegria eram visitar o parque todos os dias.
Não consigo mais. Não posso mais ver as coisas bonitas que tem lá. Tenho de
ficar trabalhando daqui de casa. E é um saco.”
Ela fala em se mudar para um asilo em Paris. E quem continuará? Niéde nunca
apareceu alguém capaz de assumir o leme. Uma boa alma para elaborar projetos,
com domínio de outros idiomas e, sobretudo, com disposição e paixão para brigar
por um negócio para o qual ninguém fora da comunidade científica dá bola. Mas a
verdade é que o fato de Niéde ser uma centralizadora de mão cheia também não
ajuda. “Como [o governo em] Brasília é ruim de dar respostas, é preciso ter
disponibilidade para ficar indo até lá. Por isso nenhum brasileiro quis ficar
no meu lugar”, ela explica. “Então eu vou ficando, ficando, e pronto.”
O desânimo parece mesmo ter pegado Niéde de jeito, mas ela faz questão
de reafirmar sua força na última resposta, antes de partirmos. Questiono como o
cidadão comum pode ajudar o Parque Nacional Serra da Capivara. “Quer que eu
fale a verdade?”, ela retruca, com um risinho. “Indo a Brasília tocar fogo
naquilo e não deixar ninguém sair de lá de dentro!” Eita! A velha Niéde de
guerra respira. Que venha o inferno.
terça-feira, 13 de março de 2018
ESCRAVIDÃO INDÍGENA: NAS SOMBRAS DA HISTÓRIA (Fernanda Sposito)
TEXTO PARA ALUNOS DO SEGUNDO ANO DO ENSINO MÉDIO
APÓS LER
O TEXTO, FAVOR PUBLICAR SEU COMENTÁRIO.
VAMOS COMBINAR, AO MENOS CINCO LINHAS...
SAINDO DAS SOMBRAS
É preciso
ampliar a visão da escravidão indígena ao longo da história do Brasil. Em
muitas aulas de História se aprendeu que o índio não foi escravizado, pois eram
preguiçosos, ou inaptos para o trabalho. Essa versão foi predominante até a
década de 1970, quando os antropólogos, comprovam a escravidão indígena na
colonização da América.
MÃO DE OBRA INDÍGENA NA AMÉRICA
Desde os contatos iniciais dos europeus com os
povos da América, os cálculos a respeito do uso da mão de obra indígena e a
utilização do trabalho forçado dos ameríndios foram recursos muito utilizados.
Colombo iniciou a escravidão dos índios e na América portuguesa, também ocorreu
à submissão do índio, sendo fundamental p/ sucesso da empresa colonial. Na
Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, escrita em 01/05/1500 e
considerado o primeiro registro português sobre a existência das terras que
viriam a ser chamadas de Brasil, o destaque dado às populações indígenas é
notável.
LIBERDADE INDÍGENA: UM PRINCÍPIO COM MUITAS EXCEÇÕES
A Companhia
de Jesus que Brasil junto com Tomé de Souza, em 1549. A partir de
então, os padres buscaram estabelecer contato com os índios, visando sua
conversão ao catolicismo. (...) Diante desses desafios, criou-se a política
das aldeias, que pregava a submissão dos índios ao padrão europeu,
trabalhando em aldeias, como nas vilas portuguesas, controladas pelos padres,
onde os índios eram disciplinados as atividades coloniais, para dar lucros aos
portugueses.
Os índios
que se recusavam a viver nas aldeias coloniais, não tinham outa alternativa que
a guerra e a escravidão. Em linhas gerais, o índio podia ser escravizado se se
colocasse como um obstáculo à expansão da fé católica e das atividades
coloniais. Aqui agia o princípio da guerra justa, uma prática
medieval, em que os soberanos católicos institucionalizavam a perseguição aos
povos hereges, podendo poupar os inimigos da morte, caso capturados, com um
regime de escravidão. Essa prática é reinventada no período moderno, na
conquista da América, dando um fundamento jurídico à escravidão indígena, que
estava condicionada à inimizade ou obstáculo à expansão do cristianismo. Assim,
o índio que resistisse à colonização era escravizado ou morto.
BURLANDO AS NORMAS
Mesmo os
que aceitassem se aliar, vivendo sob o jugo dos portugueses nas aldeias
coloniais, a garantia dessa liberdade não era assegurada. Milhares de
índios foram trazidos da selva para as vilas coloniais com a promessa de
liberdade, mas eram presos em ferros e escravizados pelos portugueses, que
traíam os acordos previamente estabelecidos.
No Estado
do Maranhão e Grão-Pará o recurso à escravidão indígena, inclusive contra lei,
foi usado em larga escala durante todo o período colonial e até mesmo no século
XIX, o que gerou uma série de revoltas no Brasil independente, como a
Cabanagem, ocorrida entre 1835 e 1840. Outra região que se notabilizou pela
escravidão indígena foi a capitania de São Vicente, especialmente na vila de
São Paulo, entre os séculos XVI e XVII. Os habitantes dessa capitania esgotaram
a população indígena originária através dos trabalhos exaustivos a que eram
submetidos nas roças e serviços dos portugueses. Além disso, as guerras que se
faziam contra os índios e as doenças com as quais involuntariamente os europeus
os contaminavam, ajudaram a compor um dos maiores genocídios da História. Uma
alternativa à falta de braços escravos em São Paulo resultou no bandeirismo,
ou bandeirantismo. Esses personagens famosos da História do Brasil
colônia, foram idealizados pelos alguns paulistas até os dias de hoje como
“alargadores de fronteira”. Na verdade, as tropas bandeirantes eram expedições
de guerra, composta por centenas de índios do tronco linguístico Tupi,
cujos capitães eram membros da elite paulista. O objetivo fundamental das
bandeiras era de captura de índios, especialmente visando os povos Guarani.
As bandeiras eram realizadas para os lados oeste e sul da capitania de São
Vicente e visavam repor os escravos índios que já haviam sido extintos nas
atividades coloniais paulistas. Assim, é necessário ler o bandeirismo no
sentido contrário ao que costuma ser contado: como despovoadores de
territórios, como disse John Manuel Monteiro. Na região das missões
jesuítico-guaranis no Paraguai e Rio de Prata, por exemplo, os bandeirantes
destruíram aldeias indígenas e vilas espanholas, despovoando e levando dali
cerca de 50 mil índios para a capitania de São Vicente entre 1620/1650.
ÍNDIOS OU AFRICANOS?
O
importante é dizer que nem todas as regiões utilizavam índios como escravos nas
atividades coloniais. Embora os índios tenham predominado nos engenhos de
açúcar de Pernambuco e Bahia até cerca de 1600, no início do século XVII, a
proporção se inverteu. Os africanos escravizados passaram a ser maior parte dos
trabalhadores empregados na lavoura de cana e açúcar, os índios se tornaram
minoritário. O sucesso da escravidão africana deve-se ao tráfico negreiro, foi
um engenhoso projeto colonial, que permitiu a Portugal e Espanha controlar e
obter dividendos no comércio da mão de obra, e amarrar os continentes americano
e africano à lógica de obter lucro p/ os europeus.
"Índios soldados da província de Curitiba escoltando prisioneiros nativos", tela de Jean-Baptiste Debret
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